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Desconhecimento sobre o Holocausto atinge 35% no Rio; sobreviventes reavivam memória

REVISTA CARIOCA 3 minutes read
foto 2 - Lucas Padilha, padre Nelson Águia, Ana Luiza Grillo Balassiano e Paulo Maltz

Lucas Padilha, padre Nelson Águia, Ana Luiza Grillo Balassiano e Paulo Maltz

No 81º aniversário da libertação de Auschwitz, uma cerimônia realizada no Teatro Ipanema, na terça-feira (27), reuniu testemunhos vivos e alerta para o enfraquecimento da educação histórica na Região Metropolitana.

Uma pesquisa divulgada na última quinta-feira (22) revelou que apenas 53,2% dos brasileiros definem corretamente o Holocausto como “o extermínio sistemático de 6 milhões de judeus pelo regime nazista”. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, o levantamento — realizado pelo Instituto ISPO a pedido da Conib, do Memorial do Holocausto de São Paulo, do Museu do Holocausto de Curitiba e da ONG StandWithUs Brasil — detectou que a soma do desconhecimento sobre o tema (24,2%) com a imprecisão ao assinalar respostas diversas atinge 35,8% dos moradores locais.

Bruno Feigelson, Suzana Bennesby, Daniel Orlean, David Hauben e Marcella Suisso

Denominada “O conhecimento sobre o Holocausto no Brasil”, a pesquisa ouviu 7.762 pessoas em 11 regiões metropolitanas ao longo de 2025. As entrevistas presenciais, realizadas em pontos de grande fluxo, possuem margem de erro de 4,7%.

Testemunhos vivos

Os dados reforçam a relevância da cerimônia realizada no Rio de Janeiro para marcar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. O evento, organizado pela Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ), lembrou os 81 anos da libertação de Auschwitz e reuniu autoridades, líderes religiosos e sobreviventes.

A solenidade destacou a presença de quem viveu a barbárie ainda na infância, como Helga Katz, Jorge Tredler, Rolande Fischberg, Gabriel Waldman, Amália Baranek e Ellen Rahel Botler. Acompanhados por familiares — como Johnny Katz, filho de Helga, e Alberto Botler, filho de Ellen —, esses sobreviventes representam a última geração capaz de oferecer relatos em primeira pessoa sobre o período.

Johnny Katz, Helga Katz, Jorge Tredler, Teresa Bergher, Rolande Fischberg, Gabriel Waldman, Ellen e Alberto Botler

Atos simbólicos

O ponto central da cerimônia foi o acendimento de seis velas, simbolizando intenções e homenagens. A mensagem-chave do dia foi resumida pelo presidente da FIERJ, Bruno Feigelson: “Holocausto, nunca mais! Racismo, nunca mais! Tragédias como essa, nunca mais!”

1ª Vela (aos resistentes e heróis): Acesa pelo presidente da FIERJ, Bruno Feigelson; pela vice-presidente e diretora de Eventos, Suzana Bennesby; pelo vice-presidente e diretor de Comunicação, Daniel Orlean; e pelos diretores David Hauben e Marcella Suisso.

2ª Vela (aos sobreviventes): Homenagem aos que foram acolhidos no Rio. Participaram Helga e Johnny Katz, Jorge Tredler, Teresa Bergher, Rolande Fischberg, Gabriel Waldman, Ellen e Alberto Botler.

3ª Vela (aos Justos entre as Nações): Dedicada aos não judeus que arriscaram suas vidas. O acendimento foi feito pelo cônsul da Alemanha, Jan Freigang.

4ª Vela (pelo fim da intolerância religiosa): Acesa pelo secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, acompanhado pelo padre Nelson Águia, Ana Luiza Grillo Balassiano e Paulo Maltz.

5ª Vela (pelas crianças): Em memória de 1,5 milhão de vítimas infantis. Participaram o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, e representantes do Lar das Crianças, movimentos juvenis e escolas judaicas.

6ª Vela (pela reconstrução): Homenagem à luta contra o antissemitismo, acesa por representantes da Wizo, Naamat, Agência Judaica, Fundo Comunitário, KKL Brasil, StandWithUs e Congresso Judaico Latino-americano.

Fotos: Divulgação FIERJ

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