João Ribeiro
A repercussão de uma das fantasias usadas por Virginia Fonseca durante o desfile das escolas de samba no Rio de Janeiro trouxe à tona não apenas o brilho da passarela, mas também os desafios e o compromisso envolvido na criação de uma indumentária carnavalesca. O responsável pelo trabalho artístico do traje que atraiu olhares e comentários nas redes sociais decidiu se manifestar sobre o processo criativo, o esforço da equipa e as críticas geradas após a apresentação.
Em suas declarações, o designer responsável pela peça destacou a complexidade de conceber e executar uma fantasia que precisa, simultaneamente, traduzir um conceito estético, integrar-se ao conjunto do desfile e respeitar a dinâmica exigida pela passarela. “Cada detalhe é pensado para que aquilo que se vê de longe seja fiel à proposta visual prevista desde a concepção”, explicou. Segundo ele, a fantasia não é apenas um traje de festa, mas um elemento narrativo que contribui para contar a história do enredo escolhido pela escola de samba.
O processo de criação, conforme relatado pelo profissional, começou meses antes. A elaboração envolveu pesquisa, esboços, consulta com a própria Virginia Fonseca e uma série de ajustes técnicos para assegurar conforto, mobilidade e impacto visual. “Trabalhamos com materiais que proporcionam leveza, mas ao mesmo tempo resistência. É um equilíbrio delicado, porque a fantasia precisa suportar o movimento contínuo na avenida sem perder sua forma e seu brilho”, acrescentou.
O designer também mencionou a importância de uma equipa multidisciplinar. Artesãos, costureiros, plumas, pedrarias e técnicos em modelagem colaboraram para que a peça fosse concluída com excelência. “O Carnaval é uma obra coletiva. Mesmo quando uma fantasia se destaca individualmente, há uma corrente de trabalho por trás que é invisível ao público, mas essencial para o resultado final”, ressaltou.
A repercussão que se seguiu à apresentação, com elogios e críticas, segundo ele, faz parte do processo vivenciado por qualquer criação artística exposta a um público amplo e diversificado. “Quando levamos algo para a rua — especialmente num evento tão emblemático como o Carnaval —, sabemos que haverá diferentes interpretações. O importante é que nossa intenção foi sempre respeitar a identidade visual proposta e contribuir para o espetáculo com profissionalismo e dedicação”, afirmou.
Críticas nas redes sociais foram mencionadas pelo profissional sem rodeios. Ele ponderou que comentários ácidos ou que subestimam o trabalho artesanal por trás de uma fantasia revelam, muitas vezes, desconhecimento sobre a complexidade técnica que envolve a confecção de peças para o desfile. “É natural que as pessoas opinem, mas é fundamental entender que não se trata apenas de traje — trata-se de engenharia artística. Cada pena, cada pedraria é posicionada para gerar um efeito específico”, disse.
Especialistas em moda e produção teatral destacam que o Carnaval brasileiro, especialmente no Rio de Janeiro, elevou o papel da fantasia a um patamar de arte popular reconhecido mundialmente. A maneira como os trajes dialogam com o enredo, a bateria, a harmonia e a coreografia apresenta um desafio singular para os criadores, que precisam pensar não apenas na estética, mas também na performance e na durabilidade das peças.
O designer responsável pela fantasia afirmou ainda que toda a experiência o enriqueceu profissionalmente. Ele disse que cada desfile representa uma oportunidade de aprender e aperfeiçoar técnicas, além de fortalecer vínculos com outros profissionais da área. Para ele, o feedback — positivo ou negativo — é combustível para evolução e inovação.
Ao final, destacou que a recepção mista às suas criações não diminui o orgulho pelo trabalho realizado. “O Carnaval é um campo de expressão intensa, e estar ali, fazendo parte desse universo, já é uma conquista enorme. Nosso compromisso é sempre com a arte, com a tradição e com o público que celebra essa festa tão grandiosa”, concluiu, reafirmando a dedicação e o respeito que norteiam seu ofício.